sábado, 5 de abril de 2008

Respostas...



Passei pelo mesmo caminho várias vezes, por vários dias e não encontrei alma alguma que pudesse me oferecer sentido às coisas e nem delas se exaltarem.
Então, durante a última jornada, percebi que o pó, ao subir da terra seca, fazia um redemoinho. Me lembrava a cor dos meus sonhos, durante as noites frias. Meus sonhos eram cinzentos ou avermelhados, adornados por uma luz de aurora que me impedia de ver nitidamente.
Seres indefinidamente mascarados, tropas assassinas e vestindo negro, vôos inseguros eram imagens que minha mente projetava em devaneios. E eu nunca pude entender suas simbologias. Se realmente existissem.
Ao subir o pó da terra, ao se transformar em fomento para meus pulmões e antes mesmo destas partículas serem levadas pelo vento morno, me fizeram compreender que a vida nada mais é que, senão, irmã maior deste pó, desta terra em que meus joelhos e mãos tocavam, ao inclinar-me para um segundo de louvor e nostalgia.
Por vários dias, ao atravessar a estrada cercada por jasmins e musgos, sem tampouco sentir seus olores, pela primeira vez me surpreendi. E, num instante de glória, algo sussurrou:
- Não há em todo o mundo algo que seja diferente disso!
Contemplei o céu, que se abria em raios de sol queimando minha pele. E ainda de joelhos, continuei a observar o pó subindo em direção ao sol e se espalhando pelos ares, se unindo às outras minúsculas grandiosas vidas, adornando o vento e sumindo no horizonte.
Então, sussurrei em resposta:
- Eu sempre soube disso!
Me ergui, e como mandara Cristo, bati a poeira dos meus pés. Eu não estava preparada para ser coisa alguma, que não fosse a menina dos sonhos sóbrios e sombrios. E, quem sabe, um dia eu voltaria a atravessar aquele lugar, mas não para encontrar respostas e sim para entrega-las à dispersão do pó, ao vento e envia-las aos quatro cantos, às pessoas que ainda não pudessem compreender o que é vida, e o que será, para sempre.
Os sonhos, eu não precisaria entende-los, seria uma questão de tempo; aliás, para isso foi criado o tempo. Eu levaria meus pecados e pesadelos enquanto não cicatrizasse em minha alma tantas dores e incertezas. Deus sorria para mim, eu sabia, mas muitas mãos se espalmavam diante de minha fé, para impedir-me de vê-lo.
Nunca mais voltei. Não até o dia de hoje, pois ainda não encontrei respostas e quem sabe muitas coisas ainda sejam enigmáticas, talvez ainda sejam até o dia em que definitivamente regressarei. Não como a menina à procura de algo sólido, mas como pó ao caminho da maior resposta que possa existir.

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