domingo, 6 de abril de 2008

Pausas...


ROMEU - (a Julieta) - Se minha mão profana o
relicário em remissão aceito a penitência: meu lábio,
peregrino solitário, demonstrará, com sobra,
reverência.
JULIETA - Ofendeis vossa mão, bom peregrino, que
se mostrou devota e reverente. Nas mãos dos santos
pega o paladino. Esse é o beijo mais santo e
conveniente.
ROMEU - Os santos e os devotos não têm boca?
JULIETA - Sim, peregrino, só para orações.
ROMEU - Deixai, então, ó santa! que esta boca
mostre o caminho certo aos corações.
JULIETA - Sem se mexer, o santo exalça o voto.
ROMEU - Então fica quietinha: eis o devoto. Em tua
boca me limpo dos pecados.
(Beija-a.)
JULIETA - Que passaram, assim, para meus lábios.
ROMEU - Pecados meus? Oh! Quero-os retornados.
Devolve-mos.
JULIETA - Beijais tal qual os sábios.


(W. Shakespeare)

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