domingo, 13 de abril de 2008

Jasmins...

(Cena do filme Atonement, 11 January 2008)
"Ateu-se o olhar e silenciou-se por instantes, ao vê-lo passar pelo jardim. e deixando para trás os sonhos de menina e os jasmins, frescos, colhidos, seguiu-o a suntuosa íris de seus olhos amendoados. Já não dominava seus pensamentos com lucidez tamanha para que pudesse suportar a espada, cravada aos poucos em teu peito, de paixão arrebatadora. Tentou esconder o rubor da face, o sorriso involuntário e o alarde desesperado de seu coração que fazia as veias pulsarem com a velocidade de um relâmpago. O coração palpitava descompassado, como se nunca estivesse vivido e naquele instante fosse despertado, ferozmente.

A luz da lua clareou os olhos dele, e ao pousa-los nos dela, esta imaginou não poder ter forças para ao menos cumprimenta-lo. E, se toca-la ele o fizesse? Não suportaria.

Tentou apressar-se para não tê-lo em sua frente, mas foi em vão. Ele já estava vindo em sua direção e seu coração aumentava o ritmo, a cada passo mais próximo que os dois se encontravam.

Ao tomar-lhe a frente e fita-la profundamente nos olhos a moça silenciou os pensamentos, gestos e desejos; não conseguia sequer respirar. Pôde sentir, pela primeira vez, o calor do corpo dele, os segredos do olhar e, nas entrelinhas das frases ditas, os pecados. Aqueles que, por mais que tentasse fugir, mais se tornariam vorazes em seu ser. Lhe cobririam, então, até a última gota, pelo resto de seus dias..."

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