quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ao meu querido professor...



Eu confesso – Poucas são as pessoas que gostam de mim – pois não sei fingir.
Tenho uma alma revolucionária, ao extremo, e me provocam agonia e pesar tantas manifestações desumanas e miseráveis.
Ultimamente tenho pensado a respeito disso e cheguei a algumas conclusões.
Antes de tudo, devo ponderar sobre a facilidade e destreza que certas pessoas encontram em serem mesquinhas, pobres de espírito, baixas moralmente e desfavorecidas em intelecto. E isto não é marca de classes menos abastadas; pelo contrário, vejo cada vez mais pessoas que se dizem “endinheiradas” cometerem barbaridades contra as condutas da boa educação.
Exatamente isto, talvez mesmo por se taxarem “endinheiradas”. Possuem apenas dinheiro, folhas ao vento, mas sem nenhum valor espiritual, sem qualquer civilidade social ou condições normais e saudáveis de raciocínio .
E, realmente pensando sobre isso, sentindo-me envolvida por um mundo caótico e sem freios de cidadania, me surpreendi com a existência, bem nítida, de pessoas raríssimas, que diante de tanta falta de educação, indignidade e lixos humanos, conseguem se fazer “luzes” aos olhos alheios. Conheço poucas pessoas assim, mas tenho orgulho de suas existências presentes e coexistentes à minha vida.
Uma dessas pessoas? O meu professor de literatura. Seu nome pode ser dito, sem receios: Osmar Oliva.
Não estou escrevendo sobre o assunto para alçar elogios de ordem prosaica ao nobre docente. Quero apenas, diante de tantas desfavoráveis experiências humanas, citar apenas uma das poucas que pode ser digna de louvor.
Bem... O professor e doutor Osmar Oliva é alguém que se atém a comentários pertinentes à sua disciplina, ao conhecimento científico de sua área e também de outras, e nunca à comentários extraclasse. Respeita nossos horários de início e término de aulas, mesmo que alguns necessitem sair mais cedo para conseguir condução, o que ele entende perfeitamente.
Mas o que me chama mais atenção nele é a maneira de ser humilde e voraz, simultaneamente, em seus discursos. É humilde ao apontar nossas falhas de maneira coesa e ética, é voraz em nunca atingir um desafeto com más palavras, antes com boas palavras aos que à ele parecem pertinentes. É exatamente isso que me encanta em sua fala.
O professor derrota verbalmente, com uma oralidade magnífica, os tons alheios de arrogância e desumanidade. Ele declara, de um modo não-verbal, olhos de superioridade à ignorância que persuade os mesquinhos, e parece conseguir vê-la ao longe, como algo que não quer atingir nunca, pois sabe que estas banalidades pertencem apenas aos tôlos.
Então, eu utilizo agora um grande clichê: “Quero ser como ele, quando eu crescer.”
Quero que minha alma atenha-se acima das coisas mundanas, momentâneas e que coexista na delicadeza da nobre linguagem humana. Desejo mais afetos que inimigos e quando não puder tê-los nessa ordem, desejo o silêncio, somente. O meu e o alheio.
Que eu esteja, sempre, acima das coisas e das pessoas pequenas. Que eu apenas sinta que passaram por mim, como o vento, por mais que o vento seja dotado de uma positividade enigmática. Apenas peço a Deus que me dê forças e coragem para não responder aos medíocres, que ocupam suas vidas e suas podres almas de tanta sordidez e futilidades, da vida alheia, da inveja ao mérito dos justos.
E por isso também que estou escrevendo. Por que parece tão fácil responder com grosserias à pessoas baixas e tão difícil assumir a nobreza de caráter de apenas uma, quando a encontramos em nossas vidas?
Escrevo para dizer ao professor Osmar e às raras pessoas como ele que sinto orgulho de conhecê-los, de tê-los tão próximos, para que talvez eu consiga absorver e aprender coisas boas. Escrevo para que estas poucas pessoas possam ter a certeza de uma admiração verdadeira e saudável, porque são dotados de atitudes saudáveis e justas.
Escrevo para não perder meu tempo com pessoas ou coisas fúteis. Prefiro preencher minhas horas com palavras afetuosas e puras.
Neste semestre, essencialmente, entre tantas decepções e desprazeres, pude conhecer uma pessoa maravilhosa, que com certeza ofuscou e apagou muitas tristezas, muitas lágrimas, não só minhas, mas de muitos colegas... Com a sutileza de suas considerações, com sua evocação e admiração machadiana, com seus apontamentos sobre a sedução da escrita, com sua postura lúcida e perfeita, com a aura do professor realista e espontâneo. Passei a amar a literatura, passei a ler Machado de Assis. Quero ter como exemplo pessoas excelentes e íntegras!_________________________________

A você, Querido Professor, todo meu respeito, consideração e carinho pela pessoa tão nobre que é. Lamento pela falta de mais pessoas assim. O mundo certamente seria um lugar melhor de viver se, pelo menos, em cada lar ou instituição houvesse alguém assim. Pelos erros de concordância, ortografia e outros, peço perdão, mesmo sabendo que são irrelevantes diante de seu olhar entendedor e humanitário. Que Deus o abençoe muitíssimo, sempre!

terça-feira, 29 de abril de 2008

Sem meias palavras...


Resquícios de imaturidade fazem do ser humano, muitas vezes, uma bomba relógio.

Não há palavras que passem por este sem que sejam crivadas de juízos desmedidos e valores obsoletos.

Não há ações que não pareçam vir impregnadas de manifestações contra sua nobre pessoa.

Perante estes seres não se pode exprimir o mínimo de emoção que seja, pois violam seu direito à pensar, a ser e existir de uma maneira totalmente abrupta.

Há alguns que até mesmo tem a "privilegiada" capacidade de transformar integralmente qualquer enredo alheio, e é claro, para pior.

Se você lhe oferece rosas, reclamam dos espinhos;

se lhe exulta palavras bonitas, perguntam o valor ( sim, acham que tudo é falso e pequeno, como suas pobres almas);

Imaginam, sempre, que o mundo gira em torno e função deles.

***

Mas a atitude mais desmedida que cometem é a de não ficarem calados quando devem e necessitam ficar...

E quando não conseguem se calar é como se uma tempestade de surtos se aproximasse.

Falam com incongruências, emotividade exaltada, voz descompassada e até julgam sem pensar.

E a imaturidade tardia não é para poucos.

Há tantas almas tomadas quanto gotas no mar.

Talvez por isso existam psiquiatras, psicólogos e hebiatras. Para lidar com aquilo que nós mortais, de fato, não podemos e nem devemos.

Para o bem de nossas mentes e almas.

Para refletir...


“As coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos.”
William Shakespeare

Considero Shakespeare um notável e impressionante pensador. Não só transformou mentes, encheu corações, mas fez transbordar reticências naqueles que se diziam, ou que ainda se dizem, “nobres”.
Sociedade para ele era símbolo do que poderia ser mudado de acordo com as reações humanas, e evidentemente foi feito assim, mas mudaram-na para pior.
A frase acima expressa com veemência o que não pode ser dito por muitos nos dias atuais, à algumas pessoas que nos circundam expelindo suas tristes e pesadas frustrações. Conseguem com isso tornar nossos dias, até então normais, tão entediantes quanto suas vidas e seus pensamentos negativos e mesquinhos.
Não medem esforços para buscar mais peso às suas mazelas mentais: fazem intrigas, arrendam para suas tristes almas injúrias e mentiras, projetam enredos enfadonhos e fantasiosos sobre outros que, muitas vezes, estão apenas cuidando de seus afazeres e seguindo suas vidas. Enfim, se degradam, dia após dia, em pensamentos soberbos, vulgares e doentios.
Não seria ainda pior se algumas destas não provassem do pseudocálice do poder e da arrogância. Menosprezam as pessoas e se consideram superiores, muitas vezes, porque consideram que seus pobres e bastardos “títulos” ou “brasões” ( se é que isso ainda existe nos dias atuais) lhe conferem poderes, autoridade e ímpetos divinos.
Seguem seus maléficos e venenosos caminhos por algum tempo, prejudicando pessoas ingênuas, passando por cima de algumas que consideram “pequenas” e “boas demais" para reagirem, mas não imaginam que ainda possam existir aqueles com alma limpa e revolucionária, dispostos a lutar para que suas vidas e as daqueles ao seu redor não sejam maculadas por tanta mesquinhez e injustiça.
Ainda há sim pessoas com coragem suficiente para segurarem a lança dos que se dizem “poderosos”, sem medo de hierarquias e soberanias diversas, que enfrentam chantagens de toda e qualquer espécie, que não se importam de lutar, de cair algumas vezes, mas nunca sujarem suas almas com os resquícios “imundos” dos “grandes senhores”.
Se todos os guerreiros se unissem, pelo menos em coração e espírito, tenho certeza que o mundo seria realmente melhor. Mas ainda falta descobrir, dentro de nós mesmos, onde mora esse espírito que tem o poder de mover gigantes estruturas e de lutar com a força do amor e da igualdade humana.
Quem sabe se abandonássemos certos “pré-conceitos”, se nos eximíssemos de valores arcaicos e pobres, se confiássemos mais em nossa força interior e no único e verdadeiro poder do mundo: a fé ao amor de Deus!
Vamos lutar sempre, sem medo ou anseios, contra aqueles que lançam “maus” sentimentos e pensamentos sobre nossas vidas, contra aqueles que tentam escurecer nossos maravilhosos dias, contra os que são obstáculos em nossos caminhos profissionais, sentimentais, contra todo e qualquer espírito de inveja, ambição e humilhação desmedidas.



quinta-feira, 17 de abril de 2008

Verdades...



"Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos..."


(Freud)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Desejos...



"Quantos secretos desejos

Se cruzam no nosso olhar...

É uma paixão incontida?

Clandestina? Proibida?

Difícil de disfarçar...
O encontro das nossas vidas

Tardou a acontecer...

Resultou em sentimentos

Mergulhados em lamentos…

Razão do meu “sofrer”…
Motivos mil nos separam,

Sufocam quaisquer anseios...

Nos nossos mundos distintos

Sublimamos os instintos,

"Amando-nos” em devaneios...
São beijos emocionantes,

Trocados em pensamento,

Horas de magia pura,

Carícias cuja ternura

Nos elevam ao firmamento.
E, sendo um dom dos amantes

Manter firme a esperança,

Será que o tempo vai conseguir

as nossas vidas reunir?

Tenhamos fé e confiança...
Haveremos de provar

As delícias deste fruto?

Por enquanto, proibido…"


(Autor "ainda" desconhecido)

terça-feira, 15 de abril de 2008

P.S:..



"Eu sou o brilho dos teus olhos ao me olhar

Sou o teu sorriso ao ganhar um beijo meu

Eu sou teu corpo inteiro a se arrepiar

Quando em meus braços você se acolheu

Eu sou o teu segredo mais oculto

Teu desejo mais profundo, o teu querer

Tua fome de prazer sem disfarçar

Sou a fonte de alegria, sou o teu sonhar

Eu sou a tua sombra, eu sou teu guia

Sou o teu luar em plena luz do dia

Sou tua pele, proteção, sou o teu calor

Eu sou teu cheiro a perfumar o nosso amor

Eu sou tua saudade reprimida

Sou o teu sangrar ao ver minha partida

Sou o teu peito a apelar, gritar de dor

Ao se ver ainda mais distante do meu amor

Sou teu ego, tua alma

Sou teu céu, o teu inferno a tua calma

Eu sou teu tudo, sou teu nada

Minha pequena, és minha amada

Eu sou o teu mundo, sou teu poder

Sou tua vida, sou meu eu em você

Eu sou a tua sombra, eu sou teu guia

Sou o teu luar em plena luz do dia

Sou tua pele, proteção, sou o teu calor

Eu sou teu cheiro a perfumar o nosso amor

Eu sou tua saudade reprimida

Sou o teu sangrar ao ver minha partida

Sou o teu peito a apelar, gritar de dor

Ao se ver ainda mais distante do meu amor

Sou teu ego, tua alma

Sou teu céu, o teu inferno a tua calma

Eu sou teu tudo, sou teu nada

Minha pequena, és minha amada

Eu sou o teu mundo, sou teu poder

Sou tua vida, sou meu eu em você..."


(Paula Fernandes)


P.S:" This innocence is brilliant

I hope that it will stay

This moment is perfect

Please don't go away

I need you now

And I'll hold on to it

Don't you let it pass you by..."

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Mais segredos...



"Deixa-me ser a tua amiga, Amor,

A tua amiga só, já que não queres

Que pelo teu amor seja a melhor,

A mais triste de todas as mulheres.

Que só, de ti, me venha mágoa e dor

O que me importa, a mim?! O que quiseres

É sempre um sonho bom! Seja o que for,

Bendito sejas tu por mo dizeres!

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...

Como se os dois nascessemos irmãos,

Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...

Beija-mas bem!... Que fantasia louca

Guardar assim, fechados, nestas mãos,

Os beijos que sonhei prà minha boca!..."


(Florbela Espanca)

domingo, 13 de abril de 2008

Jasmins...

(Cena do filme Atonement, 11 January 2008)
"Ateu-se o olhar e silenciou-se por instantes, ao vê-lo passar pelo jardim. e deixando para trás os sonhos de menina e os jasmins, frescos, colhidos, seguiu-o a suntuosa íris de seus olhos amendoados. Já não dominava seus pensamentos com lucidez tamanha para que pudesse suportar a espada, cravada aos poucos em teu peito, de paixão arrebatadora. Tentou esconder o rubor da face, o sorriso involuntário e o alarde desesperado de seu coração que fazia as veias pulsarem com a velocidade de um relâmpago. O coração palpitava descompassado, como se nunca estivesse vivido e naquele instante fosse despertado, ferozmente.

A luz da lua clareou os olhos dele, e ao pousa-los nos dela, esta imaginou não poder ter forças para ao menos cumprimenta-lo. E, se toca-la ele o fizesse? Não suportaria.

Tentou apressar-se para não tê-lo em sua frente, mas foi em vão. Ele já estava vindo em sua direção e seu coração aumentava o ritmo, a cada passo mais próximo que os dois se encontravam.

Ao tomar-lhe a frente e fita-la profundamente nos olhos a moça silenciou os pensamentos, gestos e desejos; não conseguia sequer respirar. Pôde sentir, pela primeira vez, o calor do corpo dele, os segredos do olhar e, nas entrelinhas das frases ditas, os pecados. Aqueles que, por mais que tentasse fugir, mais se tornariam vorazes em seu ser. Lhe cobririam, então, até a última gota, pelo resto de seus dias..."

Segredos...




"Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja."


"É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade."


(Clarice Lispector)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Desnuda-me, ilusão...


Ilusão desmedida, desenfreada, devassa, estúpida!

Que circunda minh'alma vaga...
e a faz desordenada , alada!

Que vem estragar minhas palavras...

Com um olhar destrincha os gestos,

desarma, desnuda, rebusca.

Se ao menos eu gritar teu nome pudesse...

VIDAAAAAAAA...

O que mais hei de entregar-te?

Se quando me olhas,

já não sou eu,

sou metade.

Inteira, mente, só a ti pertences.

Antes que eu morra pelo platônico descompasso

e antes mesmo de ser findado meu querer,

sem haver, alento, começado.

Vira-te, que contemplar prefiro as suntuosas nuvens,

ou ao breu da noite, atravessar ...

À tempestade, até mesmo, se vier.

Pois apenas uma senha entrega-me,

an-da...

Vá pra onde não me alcança teu olhar.

E em secreto esconde meu pesar.

D'onde nenhum ser possa avistar.


domingo, 6 de abril de 2008

Pausas...


ROMEU - (a Julieta) - Se minha mão profana o
relicário em remissão aceito a penitência: meu lábio,
peregrino solitário, demonstrará, com sobra,
reverência.
JULIETA - Ofendeis vossa mão, bom peregrino, que
se mostrou devota e reverente. Nas mãos dos santos
pega o paladino. Esse é o beijo mais santo e
conveniente.
ROMEU - Os santos e os devotos não têm boca?
JULIETA - Sim, peregrino, só para orações.
ROMEU - Deixai, então, ó santa! que esta boca
mostre o caminho certo aos corações.
JULIETA - Sem se mexer, o santo exalça o voto.
ROMEU - Então fica quietinha: eis o devoto. Em tua
boca me limpo dos pecados.
(Beija-a.)
JULIETA - Que passaram, assim, para meus lábios.
ROMEU - Pecados meus? Oh! Quero-os retornados.
Devolve-mos.
JULIETA - Beijais tal qual os sábios.


(W. Shakespeare)

Sina...



"Sofre, Juca Mulato, é tua sina, sofre…

Fechar ao mal de amor nossa alma adormecida

é dormir sem sonhar, é viver sem ter vida…

Ter, a um sonho de amor, o coração sujeito

é o mesmo que cravar uma faca no peito.

Esta vida é um punhal com dois gumes fatais:

não amar é sofrer;

amar é sofrer mais!"

(M. Del Picchia)

sábado, 5 de abril de 2008

Ao destinatário...


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É exatamente por isso que não deves olhar-me.
Pois, por ti, meu peito perde o rumo, e eu já não sei o que fazer, dizer ou, até mesmo, ser.
Porque se torna óbvio, quando me olhas, que a luz da própria lua se torna menor que a luz dos olhos meus em tua direção.
Então volte, e somente ao teu redor contemples. Pois seguir-te é um risco e amar-te impossível, para todo o sempre se torna.
E, não me julgues ao decorrer dos versos. Não vêm de mim, de outra, senão, que em mim se faz presente, por mais que eu tente mantê-la em segredo, adormecida.
Cale-se e não diga nada. Que tuas palavras tornam-se tempestade em minhas veias e inundam meu coração, fazendo-o bater mais forte, desmedido.
Peço apenas que continue teu caminho. E eu, em sonhos muitas vezes permitirei, que aquela a quem guardo secretamente, te encontre, em algum lugar também secreto, onde os olhares, as palavras e os desejos possam ser sentidos e multiplicados. Sem medos ou anseios.
E não guarde estas linhas, pois não as escrevi conscientemente. Apenas dei mãos aos sentidos de alguém que em mim repousa, à espera de sonhos!
Então vá, antes que não haja volta,
antes que desperte-a para sempre!
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Respostas...



Passei pelo mesmo caminho várias vezes, por vários dias e não encontrei alma alguma que pudesse me oferecer sentido às coisas e nem delas se exaltarem.
Então, durante a última jornada, percebi que o pó, ao subir da terra seca, fazia um redemoinho. Me lembrava a cor dos meus sonhos, durante as noites frias. Meus sonhos eram cinzentos ou avermelhados, adornados por uma luz de aurora que me impedia de ver nitidamente.
Seres indefinidamente mascarados, tropas assassinas e vestindo negro, vôos inseguros eram imagens que minha mente projetava em devaneios. E eu nunca pude entender suas simbologias. Se realmente existissem.
Ao subir o pó da terra, ao se transformar em fomento para meus pulmões e antes mesmo destas partículas serem levadas pelo vento morno, me fizeram compreender que a vida nada mais é que, senão, irmã maior deste pó, desta terra em que meus joelhos e mãos tocavam, ao inclinar-me para um segundo de louvor e nostalgia.
Por vários dias, ao atravessar a estrada cercada por jasmins e musgos, sem tampouco sentir seus olores, pela primeira vez me surpreendi. E, num instante de glória, algo sussurrou:
- Não há em todo o mundo algo que seja diferente disso!
Contemplei o céu, que se abria em raios de sol queimando minha pele. E ainda de joelhos, continuei a observar o pó subindo em direção ao sol e se espalhando pelos ares, se unindo às outras minúsculas grandiosas vidas, adornando o vento e sumindo no horizonte.
Então, sussurrei em resposta:
- Eu sempre soube disso!
Me ergui, e como mandara Cristo, bati a poeira dos meus pés. Eu não estava preparada para ser coisa alguma, que não fosse a menina dos sonhos sóbrios e sombrios. E, quem sabe, um dia eu voltaria a atravessar aquele lugar, mas não para encontrar respostas e sim para entrega-las à dispersão do pó, ao vento e envia-las aos quatro cantos, às pessoas que ainda não pudessem compreender o que é vida, e o que será, para sempre.
Os sonhos, eu não precisaria entende-los, seria uma questão de tempo; aliás, para isso foi criado o tempo. Eu levaria meus pecados e pesadelos enquanto não cicatrizasse em minha alma tantas dores e incertezas. Deus sorria para mim, eu sabia, mas muitas mãos se espalmavam diante de minha fé, para impedir-me de vê-lo.
Nunca mais voltei. Não até o dia de hoje, pois ainda não encontrei respostas e quem sabe muitas coisas ainda sejam enigmáticas, talvez ainda sejam até o dia em que definitivamente regressarei. Não como a menina à procura de algo sólido, mas como pó ao caminho da maior resposta que possa existir.

sexta-feira, 14 de março de 2008

A menininha ganhou ares!!!

Gostaram tanto.Copiaram tanto, que resolvi postar... Antes do pseudotriunfo alheio.


"A menininha mimada nunca foi fresquinha,

Atravessa qualquer parada, aprendeu a se virar sozinha.

Sozinha, assim, nem tanto.

Ela não vive sem amor, paixão, encanto...

Tem dessas que viram patricinhas, outras guerreiras de primeira linha.

A bonequinha de porcelana revestiu-se de aço,

Aprendeu a andar a ponta dos pés para depois andar nas pedras sem sapatos.

Mãos de princesa e alma de Joana D'arc...

Dedilhar piano nunca foi seu forte,

Diga isso aos seus pais, eles tiveram sorte!

Cansou de ser Rapunzel na torre coberta de flores,

Cansou de esperar pelo príncipe encantado,

Deixou de acreditar em amores...

Bobos da côrte enfeitiçados.

Mas chorou por um monte desses, que depois se mostram sapos.

Príncipe mesmo só um...

Não exatamente príncipe.

Homem pra ela tem que ser plebeu, guerreiro, constante.

Daqueles que não saem fora por nenhum instante, seja qual for!

Chorou e ainda chora...

Porque espera que mude o mundo...

Liberdade é a palavra certa...

Igualdade é o que espera.

Livre das barreiras que o preconceito revela.

Não gosta de muros, nunca gostou.

Não precisa de armas para tentar revolucionar.

Não gosta de flores, senão em seus botões, vivos e suntuosos.

Ramalhetes são desperdícios...

Homens infiéis que os mandam para encobrir defeitos, mais ainda!

Deixou de ver a vida como um filme, cansou de esperar do nada!

A luta é a melhor maneira de se sentir amada, armada!

Mas ainda ama o som do mar,

Música alta, baladas constantes...

Para quê drogas, se a vida é tão mais inebriante?

A menininha dos laçinhos cor de rosa...

Vestidinhos rendados...

Sapatinhos de cristal...

Mulher... para ser exato...

Laços rosas nas caixas de presente,

Vestidos, sim, mas em croquis e moldes,
Porque desenhar ainda é seu ponto forte!

Sapatinhos de cristal?

O que eu falei sobre andar nas pedras?

Sua nobreza não vem de impérios

Corre em suas minhas veias!!!

Faz parte da alma..."


Ana Beatriz Figueiredo Mota

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Verdades...




Você me quer?

Você cuida de mim?

Mesmo que eu seja uma pessoa egoísta e ruim?

Você me aceita

E me dá a receita

De como conviver com um monstro mesquinho e careta?

Você me respeita

Não grita comigo

Mesmo que eu tente tudo pra te irritar

Você tem que entender

Que eu sou filho único

Que os filhos únicos são seres infelizes

Eu tento mudar

Eu tento provar que me importo com os outros

Mas é tudo mentira (tudo mentira)

Estou na mais completa solidão

Do ser que é amado e não ama

Me ajude a conhecer a verdade

A respeitar meus irmãos

E a amar quem me ama!!!

(Cazuza)