sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Farpas...


O amor se desfez em agrulhas de tempo
Espezinhou as turvas moradas do vento
E soprou baixinho um lamento bélico
Entre mornas e castas manhãs de setembro...

O amor não é meu, não é teu
é eterno, sem lugar, sob um céu cinzento
pois não me escutas, nem eu te desvendo.


Porque minha culpa é tão cara e
teus olhos, clarão, para meu tormento.
Quão lágrimas, senão glórias
caem ao meu colo, devagar, sem trazer alento.

Diz-me com que sonhas
E cá, subirei depressa,
Entre as agrulhas de tempo,
habitarei as moradas do vento...


Serei teu anjo na guerra cifrada,
Tua harpia dourada, tatuada no peito.
Entre as mornas manhãs de inverno...

Mas tão logo e não será mais setembro.
Arranca a flor do Cairo e deixa-te por ela ser despido


Antes que se finde os nossos dias,
antes que se esqueça do meu único grito
de um suspiro intacto:
"Oh! Desejo maldito"...
(Anna Resena)

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