sábado, 8 de dezembro de 2007

♥¨`♥Um tanto de Clarice em mim...♥¨`♥

(Explosão, Clarice Lispector, 1975)


Hoje não estou escrevendo por escrever...

me deu vontade e desejo de tentar colocar em linhas o que não posso dizer com meus lábios!

Alguns assuntos pendentes, daqueles que não podem esperar para serem ensaiados, sonhados, até mesmo vividos, por mais que tomem fôlego somente em mim.

Na adolescência eu poderia gritar e mesmo assim não ser notada, não com veemência...

Adolescentes podem tudo, que falta me faz o passado!

Chorar e não ser questionado...

Então, eu escrevo por catarse, sou uma alma declaradamente alheia ao mundo exterior, prisioneira daquilo que não posso ser diante dos outros, só em meu mundinho interior...

Talvez por isso goste extremamente de Clarice (Lispector).

Ela diz coisas que eu quero ouvir, coisas que eu teria dito se não houvesse ela declarado antes:


"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada."


"...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda."


"Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro."


"Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja."


"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."


"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."


"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome."


Tudo que ela escreve (escreve, porque o que é grandioso não se finda com a morte) é maravilhoso...

Considero que se não fosse eu, seria a Clarice, num formato sutil, doce e um tanto quanto mais pueril.


Algumas pinturas de Clarice...

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